terça-feira, 24 de Novembro de 2009

A verdadeira face oculta

Segundo a UMAR (União das Mulheres Alternativa e Resposta) 26 mulheres foram assassinadas pelos companheiros (maridos, namorados e amantes) desde o início do ano.

Arrepiante!

A estes números teremos de somar as mulheres agredidas que recorreram ou não a tratamento hospitalar, as agredidas psicologicamente e as agredidas sexualmente pelos companheiros. Se também somarmos os homens vítimas dos mesmos abusos pelas companheiras ou por familiares delas, facilmente concluímos que o país de brandos costumes é um país de uma violência extrema.

Notemos que este problema é horizontal e atravessa toda a sociedade, da direita à esquerda, dos muito pobres aos muito ricos, dos agnósticos aos religiosos, dos jovens aos velhos.

Este é um dos grandes problemas da sociedade portuguesa do século XXI, que em nada se distingue dos países do (chamado) terceiro mundo, que não se resolve com o rendimento social de inserção ou com uma ou duas doses Tamiflu.

Este é um problema estruturante que tem a ver com princípios, formação, educação sexual e vida em sociedade.

Este é um problema que se resolve com a interiorização da noção de Igualdade e de respeito pelo Outro.

Este devia ser o grande problema do país, mas não vejo qualquer partido político, organização religiosa ou associação (dita) cívica a colocá-lo como determinante nos seus objectivos.

Tenho vergonha deste país e desta sociedade que mata, que amesquinha, que destrói só porque não consegue o que quer.

Seremos mais Homens no dia que em que for notícia “um ano sem vítimas de violência doméstica”, aí teremos condições para nos preocuparmos com a Gripe A, a sucata do Godinho, as conversas do Vara e outros que tais.

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Que face oculta?

A propósito do meu último “post” desafiou-me o Manuel Henriques a pronunciar-me sobre o escândalo.

Supondo que se referia ao chamado “face oculta”, é impossível considerar um escândalo pois eu vejo, no mínimo, dois e assim sendo qualquer comentário que eu faça tem que se referir a:

- Corrupção, nomeações para cargos públicos e postura dos nomeados;

- Direito ao bom nome, e reserva sobre a vida privada especialmente tratando-se de personalidades que desempenham os 3 mais altos cargos públicos;

- Segredo de justiça, sua ausência e abusos de jornalismo e de fontes não identificadas para a produção de “notícias”.

Comecemos pelo princípio:

A corrupção é por definição a compra de uma posição de poder. Apesar de em muitas sociedades se fazer crer que esta acção é aceitável (como por exemplo nos EUA), os princípios que norteiam a sociedade democrática e o estado de direito não são consentâneos com este tipo de procedimentos.

Em Portugal a corrupção, grande ou pequena, existe em todos os campos e desde sempre. Corrompe-se para tirar a carta de condução, para arranjar emprego, para não pagar uma multa, para conseguir um licenciamento e, também, para ter acesso privilegiado a negócios ou mesmo para enriquecer.

O curioso é que o pequeno corrupto é um feroz crítico do grande corrupto assim como o corrompido coloca (ou tenta colocar) o ónus no corruptor que, por sua vez faz o mesmo em relação àquele. Vemos facilmente o cisco nos olhos dos mas não vemos as trancas nos nossos olhos.

Além do problema de princípio e de podridão da nossa sociedade, este estado de coisas leva à sensação de total impunidade dos actores da corrupção e leva esses mesmos actores a traficarem influencias em todos e quaisquer negócios seja eles públicos ou privados.

No caso concreto, “face oculta” (infelizmente ligado às minhas duas terras Canas de Senhorim e Ovar, pela localização geográfica da O2) o caso é muito mais grave porque envolve o “roubo” descarado de bens de empresas (públicas e privadas) com a suposta conivência de pessoas que foram titulares de altos cargos políticos e de gestores que foram nomeados pelo estado.

Passemos para a questão do bom nome e da reserva da vida privada.

Temos a tendência para a telenovelização da vida política e social e com isso (por isso) tornamos em facto qualquer suspeita, mais ou menos fundamentada, sobre qualquer figura pública esquecendo o direito ao bom nome e à presunção de inocência. José Sócrates tem sido um alvo sistemático muito pelas invejas de uma sociedade que não lhe perdoa ter tirado um curso numa Universidade de pouco prestígio e, alegadamente, com diversas facilidades. Interessando pouco se estuda dossiers, se é competente, se é trabalhador. O que é realmente importante é que não pertence à nomenclatura e que por isso podemos atacá-lo.

Outro ponto extremamente importante refere-se à reserva da vida privada. Um presidente, um ministro, um juiz e todos nós, temos direito a ter os nossos amigos e a falar com eles, não sendo lícito utilizar a vida privada para condicionar a função pública. Este tipo de actuação caracterizou o estado novo e a PIDE durante muitos anos mas, os que hoje escrevem não sabem nem querem saber.

Explicando, qualquer dos titulares de cargos públicos que referi pode discutir e emitir opinião (qualquer que ela seja) numa roda de amigos sobre temas publicitados na comunicação social, não podendo isso ser confundido com conhecimentos formais e oficiais que tenham sido adquiridos no exercício das funções públicas que desempenham, logo essas opiniões não podem nem devem ser alvo de escutas ou ser utilizadas para atacar/justificar acções enquanto titulares dos referidos cargos.

Finalmente o segredo de justiça e seu tratamento por juízes, ministério público, advogados e, muito especialmente, jornalistas.

Como dizia hoje o antigo presidente, Mário Soares, o que me preocupa é face oculta da justiça. Como se vê, a lei para nada serve pois se não nos convém que seja o presidente do supremo ou o procurador geral a decidir, rebatemos as suas decisões com posições de pretensos juristas, ou com as decisões de procuradores regionais, ou juízes de tribunais de círculo. Transpondo para uma fábrica, quando não nos agrada a decisão do director, do engenheiro, do técnico ou do patrão vamos pedir a opinião do operário menos qualificado e com isso tentamos justificarmo-nos. Já passei por isso e já tive que lidar com este tipo de caciques em tudo iguais aos jornalistas da nossa praça (e de outras).

Não foi para isto que se fez Abril!

Enquanto não tivermos uma “classe de jornalistas com classe” enterraremos a nossa democracia um bocadinho todos os dias.

Para terminar, se eu fosse Sócrates exigia do Supremo e da Procuradoria a divulgação de todas as escutas e a seguir batia com a porta.

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

O nosso portugal!

Sou leitor atento dos jornais e acompanho com relativa proximidade a vida do país, no que nos é relatado pela comunicação social.

O caso face oculta, põe a nu o que é Portugal (um país de corruptos), leva a que muitos se confundam e tentem confundir a opinião pública, mas também traz à luz do dia a ignorância e impunidade com que se dão “notícias” e se acusam pessoas.

A espiral de desinformação é tal que é rara a notícia em que se pode acreditar, chegando-se ao ponto de um suposto jurista (não sabemos se é licenciado em direito, advogado, juiz, funcionário judicial…) travestido em jornalista fundamentar as suas opiniões em citações de periódicos que não fizeram o seu o nome e o seu mercado com base no rigor e na seriedade, refiro-me a Pedro Lomba e ao Correio da Manhã.

Corre por aí que o Sr. Manuel Godinho vai pagar pelo que fez e pelo que não fez, dando a entender que o Senhor nada fez de errado e que os grandes culpados são os que foram corrompidos. Ora eu continuo a acreditar na justiça, acredito que quem corrompe é criminoso e sei que há muitos anos que se contava à boca pequena o modo de operar desta organização. Quero com isto dizer que o caso não é de agora, nem os actuais governantes (administradores de empresas) são mais corruptos que os anteriores.

Cavaco não é diferente de Sócrates.

Arrepia-me ver vezes sem conta a entrada do Sr. Manuel Godinho no DIAP de Aveiro e o empurrão perfeitamente gratuito do Sr. da judiciária que mais não revela que a boçalidade daqueles que estão danados com o corruptor por não terem sido corrompidos. É muito fácil ser forte com os fracos e fraco com os fortes. Eu prefiro ser intransigente com os fortes e solidário com os fracos e sei (sofro-o na pele) que não serei rico nem subirei com facilidade mas tenho a cara lavada, a consciência tranquila e durmo bem todas as noites.

Recordo a este propósito a saída do Engº João Cebola da prisão em 95 ou 96. À sua espera estavam apenas (além dos familiares próximos) o “chauffeur”, a secretária e um dos seus colegas administradores. Todos os outros que tinham comido e enriquecido à sua mesa tinham desaparecido…

Recordo também, na minha passagem pela Oliva, após a saída do administrador único de que eu tinha discordado em muitas coisas, a necessidade que tive de proibir qualquer referência menos cordata que lhe fosse dirigida. Só pode atacar quem o faz de peito aberto e mostrando a cara…

Recordo ainda a minha saída da Maluesp (um filho que criei e fiz crescer) onde as posturas menos correctas e a falta de lealdade me fizeram abdicar de um bom salário e do muito que investi porque é mais importante ter a cara lavada do que ser “rico”.

Sócrates reconhece que falou e que vai continuar a falar com Vara, pelo simples facto de que são amigos. É isto que eu espero dos meus amigos que estejam comigo nos maus momentos porque nos bons e nos copos estarão de certeza.

Para aqueles que gozam com a licenciatura de Sócrates (e de outros) lembro-lhes que a Independente foi licenciada por um governo que era de outra cor e que certamente não terá (ia) menos qualidade que as Faculdades que nasceram como cogumelos nos idos de 80, em Viseu, em Famalicão, na Guarda e noutros recantos…

Sejamos sérios e exijamos aos outros somente aquilo que exigimos a nós próprios.

quinta-feira, 29 de Outubro de 2009

Têm a mente toldada!

Contam-me os meus amigos que os meus ex-companheiros da Oliva estão chateados comigo. Não o estão por ter lhes ter feito uma sacanice, por ter prejudicado a “nossa empresa”, por lhes ter roubado clientes ou ter tomado alguma posição menos ética.

Não.

Estão chateados por eu ter uma posição clara sobre a Oliva e por, pasme-se, ter a ousadia de a publicar.

Estes meus ex-companheiros, alguns dos quais considerava amigos, aceitam o que eu penso, sabem que tenho razão mas acham que não deve exprimir uma posição pública.

Enganam-se e enganam-se por várias razões que passo a enumerar:

- Sou um espírito livre, penso pela minha cabeça e a minha postura a nível profissional (como na vida) é séria, inatacável e rege-se por princípios, claro que os que estão chateados não podem dizer o mesmo e têm mais rabos-de-palha do que anos de trabalho na Oliva;

- O meu conhecimento de fundição, a estatura de técnico excelente, reconhecido no país e no estrangeiro, permite-me fazer uma análise séria sobre o passado, o presente e o futuro da Oliva, claro que os meus ex-colegas que se arrastam na Oliva não podem dizer o mesmo e não conhecem mundo;

- Eu e as empresas para as quais trabalho (e assim foi com a Oliva) temos uma postura inatacável no mercado baseada na verdade e no respeito pelos concorrentes. Infelizmente a Oliva de hoje mente sobre a concorrência e tenta denegri-la com informações falsas.
Deus – se existir – se encarregará de lho devolver em dobro;

- Sofri na pele (e no bolso) a incompetência da Oliva e dos seus credores, os meus ex-companheiros nunca foram prejudicados pelas situações adversas que a Oliva atravessou e talvez por isso se julguem muito bons. Um dia perceberão que o mundo gira mas, aí estarão irremediavelmente mortos…

Em prol da Fundição em geral e da Fundição Portuguesa em particular digo, e repito, que a Oliva deve encerrar não daqui a seis meses ou um ano mas amanhã.

Abraço amigo a todos os meus ex-companheiros.

sexta-feira, 23 de Outubro de 2009

Oliva, outra vez!

Transcrevo, aqui, as notícias publicadas nos dois semanários de S. João da Madeira sobre a Oliva e os processo (insolvência e lay-off) que a empresa tem em curso.

Claro que não me limito a transcrevê-los pois, como antigo trabalhador, não posso ficar indiferente à agonia desta que foi uma grande empresa e o ex-libris de S. João da Madeira. Os dois processos têm sido (mal) tratados por uma administração que demonstra uma ignorância gritante no que se refere ao tema fundição (quanto ao tema económico-financeiro, o próprio processo de insolvência e a dívida acumulada em 4 anos falam por si).

A aplicação do processo de lay-off, com um regime de 5 dias de trabalho durante cada mês revela o desconhecimento profundo, não só do negócio em si, como dos equipamentos que possuem e das condições particulares da empresa além de demonstrar um profundo desprezo e desrespeito pelos funcionários.

Manter trabalhadores reformados trabalhar demonstra a incapacidade de uma empresa se renovar e demonstra também que esses trabalhadores consideram que o know-how que adquiriram ao serviço da empresa é um activo seu e não da empresa mas, manter reformados a trabalhar numa empresa que está em regime de lay-off e a braços com um processo de insolvência demonstra profunda ignorância, falta de visão de futuro e um achincalhamento a todos os outros trabalhadores.

Um processo de lay-off que não abrange os quadros médios e superiores é um embuste e mais uma vez, o desrespeito pelos restantes trabalhadores especialmente pelos que auferem menores salários.

Obviamente que todos teriam a ganhar com o fecho da Oliva (perdoem-me os trabalhadores) mas a Oliva não tem condições para estar no mercado, pelos pontos que a seguir exponho:

- Tem um nível de produtividade que é 10% do ideal e cerca de 20% de uma qualquer empresa do sector;

- Em 15 anos apresenta o 3º processo de insolvência, ou seja, tem vivido à custa dos fornecedores e do estado;

- Há muito que perdeu a certificação do sistema de gestão da qualidade;

- A capacidade técnica que foi durante tantos anos apanágio da Oliva desapareceu;

- Os equipamentos existentes estão em fim de vida;

- A estrutura dos serviços de apoio à actividade industrial (armazéns, recursos humanos, compras, vendas, financeiro, etc…) é dos anos 60 e baseia-se no compadrio e na incompetência.

Por tudo isto, e por muito mais, espero que 2ª feira, administrador de insolvência, juiz e credores digam não à continuidade da moribunda Oliva.

De “O Regional”

Oliva 1925 quer avançar com mais seis meses de suspensão temporária de trabalho (lay-off). A decisão será tomada esta tarde, no plenário para o qual foram convocados funcionários da empresa, e, se a proposta for aprovada, o lay-off entrará em vigor a 2 de Novembro.

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A administração da empresa metalúrgica Oliva 1925 em S. João da Madeira deu a conhecer, na passada sexta-feira, dia 16, aos 184 trabalhadores a decisão de aplicar mais meio ano de lay-off, precisamente na altura em que termina a primeira suspensão temporária de trabalho.
David Soares, membro da comissão de trabalhadores daquela empresa, confrontado com o inesperado da notícia, apesar de não ser dos trabalhadores mais antigos, reconhece à nossa reportagem que o ambiente continua a ser de “profunda desilusão e de profundo desgosto pelo arrastar da situação”. Diz que a Oliva está em processo de insolvência desde o início de Setembro e que, estando uma assembleia de credores agendada para o dia 26, “serão eles a ter a última palavra”. Este membro da comissão de trabalhadores diz que “isto já é um bocado cansativo e estamos todos muito cansados desta situação”. Salientou que, por parte da administração, já “existem metas definidas e era melhor colocar os trabalhadores informados, para não andarmos sob esta pressão”. Diz não ter dúvida de que “contávamos com uma situação final um bocado mais penosa” e, por isso, reforça que “a administração já deve ter ideias definidas e estão a protelar”. David Soares referiu também que “há contratempos a nível de licenças ambientais” e, “portanto, não acredito muito na viabilização da empresa”.
Adelino Nunes, do Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Metalúrgicas e Metalomecânicas dos distritos de Aveiro, Viseu, Guarda e Coimbra, confirmou que a Câmara não renovou as licenças ambientais “para a Oliva produzir”. O sindicalista, em declarações à Agência Lusa, afirmou não acreditar que o presidente da Câmara “assuma a responsabilidade do encerramento da Oliva e do desemprego de quase 200 trabalhadores, só por falta de uma licença ambiental”, frisa o dirigente do sindicato.
Adelino Nunes entende, por sua vez, que, apesar disso, a metalúrgica “tem que alterar os seus procedimentos ambientais” e que o plano de viabilização a implementar na empresa deve reflectir essa postura.
Referindo-se tanto à administração da Oliva 1925 - Soluções de Fundição SA, como ao gestor judicial nomeado para acompanhar a respectiva insolvência, o dirigente sindical declara: “Têm-nos dito que a intenção é recuperar a empresa e, a ser assim, esta questão ambiental é importante”.
Relativamente ao papel que os credores da metalúrgica podem ter nesse processo, Adelino Nunes acrescenta ainda à agência de informação lusa que esses “têm mais a ganhar em apoiar a viabilização da Oliva do que em decidirem--se pela sua dissolução”. Pois “estes trabalhadores têm muita antiguidade e o valor das indemnizações seria muito elevado”, explica. No caso do encerramento da empresa, “a quase totalidade do património da Oliva seria para pagar essas compensações”.
Recorde-se que a decisão de pedir a declaração de insolvência da empresa foi tomada a 13 de Agosto.
Segundo a comissão de trabalhadores, esta proposta prevê ainda que o capital social da empresa (50 mil euros) seja reduzido, para cobrir prejuízos. Recorde-se também que o segundo maior credor da empresa é uma firma de comércio e indústria química, de Valongo, seguindo-se o Instituto de Segurança Social, onde a empresa sanjoanense deve cerca de meio milhão de euros. A relação dos cinco maiores credores termina com uma empresa de recolha e reciclagem de resíduos e uma sucateira.
Na lista de credores constam ainda 193 trabalhadores, aos quais a Oliva deve mais de 200 mil euros em salários. As dívidas à maior parte dos trabalhadores não chegam aos mil euros, cada. Contudo, há um conjunto de 21 funcionários a quem a empresa deve entre dois e sete mil euros, cada. Entre estes, destaca-se o administrador único da empresa, Alexandre Bastos, a quem a Oliva deve quatro mil euros em salários.
A nossa reportagem tentou contactar os administradores da Oliva 1925 - Soluções de Fundição S.A., mas o mesmo não foi possível, já que nenhum administrador se encontrava disponível para esclarecer a situação.

Do “Labor”

Oliva quer mais seis meses de lay-off

Oliva propõe aos trabalhadores mais seis meses de lay-off. Operários decidem hoje se aceitam. Dívidas aos trabalhadores podem ditar a viabilidade da empresa que precisa continuar a laborar para pagar a todos os credores

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O Oliva pretende prolongar o regime de redução temporária do período normal de trabalho (lay-off) por mais seis meses, conforme o labor apurou junto de um trabalhador e do sindicato dos metalúrgicos. A empresa está em lay-off desde Maio. Este período deveria terminar no final de Outubro, altura em que se realiza a primeira assembleia de credores da fábrica, declarada insolvente em Agosto.

Ao que o labor apurou junto de um trabalhador, a Oliva terá proposto, na passada sexta-feira, aos 184 funcionários prolongar o período de lay-off por mais seis meses. A decisão dos trabalhadores deve ser tomada esta quinta-feira, em plenário para o qual foram convocados pela empresa. De acordo com a Agência Lusa, acaso os trabalhadores acedam à proposta da empresa, o segundo período de lay-off deve começar a 2 de Novembro.

À rádio TSF, um membro da Comissão de Trabalhadores (CT), José Marques, alertou que os funcionários já tiveram um “grande prejuízo ao nível de salários”. De momento, José Marques disse não saber “se os trabalhadores estão na disposição de continuar com o prejuízo”. Ao labor, o dirigente sindical que acompanha o caso, Adelino Nunes, disse que este segundo período de lay-off, a realizar-se não influencia o processo de insolvência da empresa. Adelino Nunes ressalvou, no entanto, que caberá aos credores, que reúnem em assembleia, pela primeira vez, dia 26, decidir se têm mais a ganhar ou a perder com a viabilização ou encerramento da fábrica. No parecer do sindicalista, os credores têm mais a ganhar com a viabilização da empresa em regime de lay-off. Adelino Nunes alertou para o facto de o montante da dívida aos trabalhadores ser de tal ordem que pode ser necessário todo o património da empresa para a sanar. Neste cenário, “a inviabilização da empresa pode significar que os credores não receberão nada dos créditos”, alerta. Adelino Nunes admite ainda que os credores não cheguem a uma conclusão na primeira assembleia que se realiza na próxima segunda-feira.

Prorrogar o lay-off

De acordo com o Código do Trabalho, o período inicial de redução temporária do período normal de trabalho, que pode ir de seis meses a um ano, dependendo do fundamento, pode ser prolongado, no máximo, por mais seis meses. Para tal o empregador deve comunicar por escrito a respectiva intenção e tempo previsto de prolongamento à estrutura representativa dos trabalhadores. O labor sabe que a empresa comunicou com os trabalhadores neste sentido na passada sexta-feira, 16. No caso da CT não se opor, por escrito, num prazo de cinco dias, o prolongamento pode acontecer. Ou seja, os trabalhadores têm até amanhã, 23, para elaborar um parecer acerca da proposta da Oliva.

O labor apurou, junto de um trabalhador da fundição, que os termos do prolongamento proposto pela empresa são os mesmos acordados em Maio. Ou seja, caso os trabalhadores aprovem, a empresa deve continuar a laborar cinco dias por mês com a maioria dos funcionários. Contudo, é de salientar que a empresa alterou os termos da redução temporária do período normal de trabalho em Junho e Julho. Nessa altura, alguns trabalhadores passaram a laborar 12 ou 13 dias por mês.

O labor contactou a empresa não tendo conseguido obter nenhuma declaração.

sexta-feira, 16 de Outubro de 2009

Dia Mundial da Alimentação

Por indicação da FAO (organização das Nações Unidas para a alimentação) comemora-se hoje o dia mundial da alimentação.

A iniciativa é meritória e o trabalho que educadores e professores, fazem com os nossos filhos é reflexo de uma sociedade mais consciente para os problemas do Mundo, visto como um todo.
Infelizmente o motivo que leva a ONU a insistir na comemoração deste dia não é nada que nos faça sentir orgulhosos, pois esse motivo tem um só nome, mas milhões de caras: FOME!

O editorial do jornal Público de ontem, 15 de Outubro, era brutal - Há, hoje, no mundo 1.000 milhões de pessoas que passam fome, ou seja, cerca de 15% da população mundial.
O Mundo Português (deixem passar a reaccionarice) contribui com mais de 27 milhões de pessoas que passam fome (11 milhões no Brasil, cerca de 15 milhões em Angola e Moçambique) e certamente algumas estarão mesmo à nossa porta. Estimo que em Portugal haverá de 500.000 a 1 milhão de esfomeados.

As minhas perguntas (para reflexão) são:
- O que podemos fazer?
- Até quando vamos permitir esta situação?

- O que dirão a isto os que se abespinham contra os transgénicos?

- O que dirão a isto os agricultores que para forçarem um aumento de preço dos seus produtos despejam milhares de litros de leite ou queimam produções inteiras?

- O que dirão a isto as multinacionais alimentares que deixam estragar toneladas de comida todos os dias sem proveito para ninguém?

- Há séculos que sabemos que a população cresce exponencialmente e os alimentos aritmeticamente, no entanto continuamos a considerar que a “nossa população” deve crescer mais e que estamos em risco de extinção…

Também ontem, como que em contraponto, veio a lume a notícia de que as 23 maiores empresas de wall street pagarão como bónus aos seus dirigentes 90.000 milhões de euros, valor mais elevado de sempre (onde é que vai a crise?), estes não passarão fome…

Não quero ser moralista mas, envergonha-me pensar que alguns que gastam diariamente mais de € 150,00 em vinho se consideram pessoas solidárias…

Espero que num futuro não muito distante a ONU diga que já não faz sentido o dia Mundial da Alimentação.

quinta-feira, 15 de Outubro de 2009

a minha análise

Após os dois actos eleitorais, olhei para os resultados, relembrei as duas noites passadas a ouvir os fazedores de opinião e dei comigo a pensar que nenhum deles, nem qualquer órgão de comunicação social (pelo menos os que frequento) tinham feito uma análise que me deixasse convencido.

Se assim é, qual a análise mais correcta ou aquela que convence?

Pensemos;

Após 4 anos de governação errática, muita teimosia, tomada de medidas duras para o povo e um esforço para endireitar muita coisa que estava mal, o governo de Sócrates parecia decisivamente derrotado e com ele o PS. Na lógica vigente, o grande rival ganharia sem fazer qualquer esforço, bastava que se apresentasse nas urnas a 27 de Setembro para comemorar uma estrondosa vitória. Essa vitória não seria mais que a continuação da festa do 7 de Junho.

Mas assim não foi e não só o PS ganhou as eleições, como o PSD ficou uma votação fraquíssima, a CDU ficou mais uma vez na mesma e os extremos cresceram como nunca tinha crescido.

Vai daí conclui-se que acabou o centrão e que CDS e BE passarão a ser fiéis de balanças ora à direita, ora à esquerda e que de agora para o futuro há que contar com eles.

Passados 15 dias quando de novo se vai às urnas e todos diziam(os) que seria a continuação do acto de 27 de Setembro, CDS e BE são pulverizados e enviados um para Ponte de Lima e outro para Salvaterra de Magos, desaparecendo do restante mapa de Portugal.

O PS obtém uma excelente vitória, cresce em votos, mandatos e presidências de câmaras e rouba câmaras importantes à esquerda e à direita. O PSD também ganha, pois apesar de menos votado continua a ter o maior número de câmaras. A CDU segura-se (já só pelas pontas dos dedos) mas perde cerca de 30000 votos o que é, francamente, um mau resultado.

Conclusão,

O que me parece é que parte dos descontentes com o PS e com governo de Sócrates (os de direita) não viram no PSD capacidade para liderar o País e por isso, não tendo coragem para votar de novo PS votaram CDS e a outra parte (os de esquerda e muitos professores) não votando PS, escolheram o BE que para muitos não é bem de esquerda pois tem o líder mais conservador com o discurso mais bafiento, tipo Portas (o Paulo claro).

Como nas autárquicas não havia qualquer constrangimento com o PS ou com Sócrates, o centrão voltou.

Se eu estiver correcto, os deputados do BE e do CDS que aproveitem bem pois o centrão não deixou (nem deixará) de existir e na próxima legislatura voltarão a desinchar.